Sobre a velhice

Um velho será sempre um velho
Um velho sempre será um velho. No entanto, não há que se prender na imediata sensação do significado. Muito menos pelo depreço que pela própria convicção, essa é uma posição de reflexão quanto a marca que se quer imprimir no imaginário de outrem e na concepção de si mesmo. E a razão está no fato de que ser velho é ser sensível com a alma; é não ter que ver com os olhos apenas o que a superfície entrega; é ouvir apenas o som das coisas inadiáveis e que tocam profundamente o coração; é poder tocar em cada face sem temer os espinhos que se esquivam sob um véu de sutilezas.
Esquemas poderiam delinear de modo mais claro as impressões que se tem do tema. Nada mais óbvio. Esquemas são duros, diretos, matemáticos. A velhice se permite transitar pela imprevisão, negando principalmente o argumento de que se caminha para o fim. Fazer-se curvilíneo diante de diretrizes precisas é um trunfo de autopreservação, como se o alcance da sabedoria rompesse a linearidade do conhecimento consolidado para estabelecer novas possibilidades, novos caminhos. Ser velho é permanecer controverso, negar a própria capacidade de ser finito.