Julho 22, 2008

O Colibri (é) o poeta

               

                                 Ao poeta MMaia

 

De vez em quando,

quando sentado

para o céu olhando

vejo!

- Algo voa suavemente.

Não consigo distinguir.

É um sotaque penetrante

Ouvi!

É o som das azas de poeta

A adejar pelo vago infinito.

Vem e meus poros infesta!

Extinto!

Entre as nuvens brancas

passeia sem tocá-las,

trazendo velhas esperanças

Já mortas!

Trocando resmas marítimas

Belezas antigas e perdidas

Por corais para ornamentar.

A enfeitiçar!

De perto tentam segurar,

Mas não! O poeta é livre

Nada o pode enclausurar.

Brilhante!

Águas buscando mares

Por onde estais é assim:

em todos os lares vais.

Enfim,

O carvão agora esculpido

Reluz qualquer hora e lugar

Diamante flácido e imbuído

Mas

Tudo tem um “lado ruim!”

           E poema diz ao seu colibri:

           não é mais dono de min.

           Ecoa

           E o imenso é a última morada

           Sem caminho nem estrada

           Formando em si todas as laudas

           E o eco voa!

 

 

É com imensa satisfação que venho trazer-lhe o mínimo pelo máximo merecido, e é com maior-mensa humildade que tento coroar MMaia. Fico muito grato por vezes por enriquecer minha alma com vírgulas e pontos, peripécias e arranjos, que só os impávidos poetas e dignos de tamanha sensibilidade podem. Disso acabo aproveitando e indo beber água cristalina diretamente na fonte. Sorte que poucos tem. Mas eu sempre digo: (kkk) ”estou sempre nas horas mais importantes, nos lugares mais importantes, nos momentos mais importantes, envolvido com as coisas mais importantes.” Portanto O acaso da sorte me oscula constantemente. se tenho um talento, este é a sorte!!!

 

Julho 21, 2008

Falar sobre o quê?

Toda vez que começo a redigir um texto - porque com a modernidade não temos mais o hábito de escrever com a pena, por isso, a pobreza textual – fico pensando sobre o que realmente quero escrever. Mas nada vem até a ponta dos dedos em forma de peso a apertar essas teclas imundas, barulhentas e feias, cheias de sujeira em suas pequenas veredas; teclas que incomodam pra caramba. Diferentes são as do piano, apesar de pesadas soam como algo elevado. Escuto “Player from Rienzi” para que uma suposta erudição me auxilie na mitologia da composição. Como todos que oscularam o tempo por meio de um abstrato pensamento na concreticidade da história, para as probabilidades do acaso corroboraram como a caneta no ritual da assinatura; - Apenas mais um texto se faz -. Sem escolher o problema vou divagando sobre a tela, também não há mais paixões, e conseqüentemente a virtu já é efêmera.

Quando vai-se sintetizar um texto, o núcleo quase sempre – pra ser humilde perante a crítica – é o primórdio entre excelência e superficialidade. Dele fundem-se todas ramificações. Há quem comece pelo fim, ou mesmo, quem comece, enfim o texto para que possa assim ser chamado deve começar. Um texto se faz viável começando pelo final? Como? Se se faz a instância principal, ela foi o princípio. Mas nenhum texto é tão original – concordo plenamente – pois sempre são corrigidos, exceto por pseudo escritores como eu. Prefiro o dadaísmo nesse caso. O que de fato faz um bom escritor? Qualidade teórica, muita leitura, oportunismo temático, momento psicológico, inspiração? – Talvez tudo, e tantas outras coisas mais que   acompanhem o famoso processo. Já conseguiram inventar fórmula pra escrever. É incrível. Hoje se tem formula para tudo. Qualquer pessoa pode ser escritor, sou exemplo vivo, cantor, pintor, entre outras ramificações possíveis. Mas o que faz a genialidade de uma obra artística? Ou melhor como sintetizar uma obra de genialidade artística, que venha tumultuar a gregos e troianos. Nesse caso, dadaísta ou não, ainda não conseguiram inventar uma fórmula perfeita.

Sou dos convivas malditos, que não acreditam em nada e ao mesmo tempo em tudo, sou ateu, agnóstico e ainda cristão, nada além do objeto de tensão na efêmera existência. O olhar aguçado, uns diriam, outros, a sensibilidade, outros ainda – com uma pequena correção ortográfica automática do “Word” – o destino e a inspiração. É tudo racionalmente explicável. Os filósofos são uma grande gente mesmo. Também os teóricos, tem uma ênfase invejante na capacidade de persuasão e lógica em suas explicações. De fato, são geniais, e porque não são conceituados – popularmente – como artistas geniais ao invés da titulação de teóricos. Sem dúvida todos artistas vez ou outra passeou por entre a teoria, mesmo que não a siga ditosamente. Teoria dá uma aura mecânica. Os teóricos, muito poucos, são artistas. Dentro de sua área de atuação, ou seja, a formulação de teorias são esplendidos. Então de fato, são artistas. Tudo que se cria de novo, nunca inventado da forma que vem à tona é artístico e original, mesmo que seja rotulado independentemente das exacerbações de valores.

O acaso é o grande senhor dos acontecimentos, mas sozinho não é nada; nem um esquecido mendigo na calçada arrancando falsos suspiros da multidão em desgosto e esboçando piedade é mais frio. Mas casado com a possibilidade se torna senhor e rei. É o fato dos bons e geniais autores. Talvez os bons não sejam geniais dadas as possibilidades em que existam simplesmente, talvez não. Se explicável alguém já teria o feito, e outros Shakspeares  fariam o mundo mais representativo, talvez não, o fato importante é que mesmo o mundo de várias pessoas em contraste com o mundo de uma única pessoa, vê se que o muro é indestrutível. A mente humana é a caixa de surpresas mais rica que pode existir. O legal é que ela existe. No momento me proponho a parar por aqui, já é tarde.

 

 

Maio 27, 2008

ABAPORU SABE DE ONDE VEM, MAS NÃO SABE PRA ONDE VAI…

No Brasil, a relação entre Arte (com inicial maiúscula por se tratar de algo maior) e mídia tem provocado no meio artístico reações inusitadas e, às vezes, extremadas. Mas, para que se tenha um melhor aproveitamento do tema, é necessário que se faça um breve relato sobre o percurso da Arte durante o último século — sem que haja qualquer pretensão de esgotar o assunto —, começando em 1922 e finalizando com o estreitamento fatídico entre ela e a mídia a partir dos anos 1950.

Ao longo do século passado, algumas tranformações e revisões proporcionaram à Arte um caráter um tanto híbrido, além de promoverem a discussão da Arte por ela mesma. Tem-se na Semana de Arte Moderna, em 1922, um exemplo patente deste tipo de manifestação. Primeiro, porque aquela Semana serviu como um divisor de águas, separando, de um lado, o pensamento que alegava um fazer artístico rígido e não-passível de auto-observação, conservador por excelência, e, de outro, a alegação de uma inexprimível e inapelável autonomia — da Arte e, por extensão, do artista —, implícita desde a concepção primária da Arte até o estabelecimento de seu produto. E segundo, porque foi após aquele evento que a comunidade artísica, por consenso ou por já não haver maneira de remar contra a maré, passou a adotar uma visão menos mítica e processual, considerando em suma uma liberdade de expressão até então reprimida que, por ora, garantia um sem número de opções e tendências a serem seguidas.

Na década de 1960, mais precisamente a segunda metade, um outro movimento se levanta. Era o Tropicalismo, que, especialmente na música, surgiu como forma de protesto contra o regime militar então instaurado. Era uma mescla de Arte com contestação política — que muitos diriam mágica, outros nem tanto — e esta mescla pouco tinha em comum com o movimento estudantil daquela época. Este procurava o confronto direto a fim de tomar o poder do Estado, aquele usava das sutilezas que somente a Arte pode tramar para pronunciar o seu descontentamento. Os efeitos decorridos do movimento tropicalista foram determinantes para que tempos mais tarde a Arte se consolidasse como um grande filão para a mídia e isto se deve em parte à ampla exposição de seus ícones, tais como Caetano Veloso, Gilberto Gil, Os Mutantes, Hélio Oiticica, Glauber Rocha, entre outros.

É importante ressaltar que a mídia existe, assim como a conhecemos hoje, desde os meados dos anos 1930. Contudo, é depois da aparição da televisão — final da década de 1950 — que ela, a mídia, ganha força. Para se estabelecer ela carece de algo que lhe dê subsído e é na figura do artista que ela vai se apoiar. Ora, sabendo-se que o artista vive de sua arte a mídia passa a lhe pagar um soldo por seus préstimos, mas com o tempo os acordos, antes incodicionais, mostram-se obsoletos e pouco lucrativos para os meios midiáticos e os artistas — acrecente-se aí a Arte também — se vêem sem opção que não a de se “adequarem” à nova ordem dos acontecimentos. A mídia passa a controlar a produção artística a ser veiculada e o que não corresponde aos requisitos é preterido. Na década de 1980, a mídia tranforma a veiculação artística em negócio voltado para a grande massa e a Arte ganha um atributo pouco confortável, o adjetivo ”comercial”.

Os movimentos supramencionados conduziram a Arte a uma demarcação contraditória. Dois extremos a ladeam: a liberdade de expressão e manipulação de conceitos. Algo que confirma uma antiga regra. A dicotomização é uma premissa constante em toda a História humana e mais uma vez isto pode ser testemunhado.

Alguns se ressentem e encontram na própria Arte seu subterfúgio de manifestação contra a interferência da mídia, seja através do humor, do grito ou do silêncio. Outros quedam mais ponderados, mas de alguma maneira insatisfeitos. No entanto, a grande parte, a maior e esmagadora parte, prefere se alienar no processo dominar/deixar-se dominar.

Para o bem de todos, há, no início desse novo século (XXI), uma retomada da discussão que investiga a trajetória da Arte, mesmo dentro da própria mídia. Mas, estas vozes são ainda um sussuro apenas. Alguns intelectuais tem contribuído para enriquecer as abordagens que se tem emprezado cenário atual. E um dos argumentos mais utilizados em prol da Arte é que ela configura, talvez, o produto mais caro e mais rico da Cultura de um povo. E TeXtura não se omite. Através do Fórum, coloca-se a disposição para a arregimentação de novas idéias e para a discussão dos antigos e dos novos paradigmas. Contribua!

Maio 16, 2008

AI DELE!

A premissa maior desse blog parece ainda não estar bem definida. No entanto, parece bem interessante que tudo continue como está. O autor tem bons motivos para acreditar que as coisas se dão melhor numa aparente (e foi dito ”aparente”) indefinição, dado que não há uma força maior orientando os acontecimentos, cerceando e direcionando os textos.

Sabem, leitor e autor, que é necessário desenvolver uma cumplicidade, uma relação mais intimista, e a “aparente” indefinição fomenta isto, mas apenas naquilo que diz respeito à clandestinidade dos limites que visivelmente não estão pré-concebidos.

Ao TeXtura reservar-se-á o benefício da dúvida e, assim, pouco a pouco a trama, que se pretende densa, far-se-á constituída. Ao leitor, o exercício da paciência, ao menos. E, finalmente, ao autor, nada. Se ele pretender mais, ai dele!

Maio 16, 2008

O CAMINHO

Hoje é um dia de morte!

Hoje o dia nasceu como se estivesse pronto para morrer. Nuvens negras de luto surgiram na aurora tomando o lugar do sol que outrora fora vida. 

Talvez fosse para acordar somente quem fosse morrer. Talvez o dia fosse uma extensão dos pesadelos noturnos, daqueles pesadelos que definham qualquer traço de resistência afetiva. Não se sabe, mas talvez fosse melhor o dia não ser dia, não esse dia de morte, e fosse uma noite cujo mistério seria o elo mais forte entre a vida e o corpo. Talvez o pesadelo permanecesse e não houvesse maneira de retornar aos sonhos de menino. Talvez… Não se sabe. 

A janela vê o relógio, sobre o móvel empoeirado, correr preguiçosamente pelos segundos, como se o passar do tempo estivesse intensamente encarnado nas engrenagens do universo e este, por sua vez, pouco se importasse com os conflitos entre viver e encontrar-se morto.

Ninguém pressente, mas o relógio ri. Sim, ele ri de quem acordou do sono enquanto sonhava viver. Ri do ridículo e incrédulo modo de encarar as finalidades de existir — nascer, crescer, diminuir e morrer — e de como a fé recua covardemente diante do inexplicável. Minuto após minuto uma gargalhada ecoa alertando aos menos atentos que o inexplicável se aproxima ávido por surpreender quem estiver acordado. Não se sabe, mas o inexplicável se esclarece no fim da vida para que a morte seja então caminho conhecido e agradável. O fim, ele mesmo, é uma rosa vermelho-caos de desabrochar quase hipnótico e completamente apaixonante que não pode ser colhida em homenagem alheia senão a personificação corpórea do “eu”.

A janela, que desconhece as razões e o conflito, apenas observa o quarto e a paisagem — imagens muito além do alcance dos olhos de um espectador comum, porém confortáveis constatações numa despedida promissora. Lá fora, uma sensação cinza recai no que agora é secundário. Não se sabe, esse elemento, o sol, ele propriamente revelado, traz consigo a esperança que fomenta a vida. É uma pena, porém isso jamais será sabido sem que antes aconteça o devido despertar. Não é sabido por quê. Apenas se sabe que o céu, quando tem como véu a mortalha de nuvens escuras escondendo o elemento sol, anuncia algo que seria efêmero se nesses instantes não fosse repugnante, a chuva: confusão pluviometricamente espalhada pelos canteiros de margaridas, dentes-de-leão, gerânios, jasmins e toda espécie de flores ignorantes. Descobriu-se, numa época muito remota e singular, que a chuva era arauto fiel dos infortúnios terrenos, mortais ou imortais. Desde então a chuva tornou-se mau agouro e condenação. Antes de prosseguir, é necessário que se saiba que disso também não se sabe, diga-se da confusão e das flores ignorantes, que são incógnitas de um jardim não cultivado, o coração.

Como se disse, hoje é um dia de morte. Todos ainda adormecem, exceto uma alma solitária. A mesma alma solitária que reconhece as impressões do espaço e do tempo enquanto debulha as pétalas de uma rosa vermelho-caos; que acordou para compreender e finalmente dormir profundo; dormir após compreender a verdade, o inexplicável.

E, afinal, quando a mortalha foi despida e o sol, ele propriamente revelado, viu-se liberto, a alma pôde reconhecê-lo. A luz redimiu a vida reclusa e a insignificância das flores e do corpo. A alma sentiu a impropriedade e o arrebatamento e deixou-se levar pelo caminho que lhe fora elucidado. Seguiu pela eternidade íntima das recordações até chegar num imenso jardim repleto, por todos os lados, de uma certa rosa de cor apaixonante. Deu-se num longo suspiro. Estava cansada. Recolheu-se no chão coberto de pétalas vermelhas e logo adormeceu, profundamente, ignorando o caos e a sentença.

Não se sabe, antes do adormecer definitivo o pesadelo já não mais permanece…

Hoje…

Hoje é um dia de morte.

Maio 6, 2008

TEMPO NOVO TEMPO

Porque o tempo é mercúrio-cromo e tempo é tudo o que somos. Renato RUSSO.

Eis o tempo novo! É chegada a hora de celebrar a grandeza de seus feitos, pois nada passou “ileso” diante de seu compasso claudicante. Nenhuma pedra se moveu sem que fosse testemunhado e ressentido. Há muito por dizer, o tempo o sabe e se apraz em voltear por entre as lacunas da eterna espera.

Houve um tempo em que nada do que se vê hoje era visto com maus olhos. Nenhum costume era contestado por não cumprir os interesses de uma maioria. Cada grupo e, ainda, cada pessoa tinha a liberdade de alimentar suas sandices e vontades, de sorrir e se lamentar quando bem entendesse, de rir e chorar quando o espírito achasse por merecer razão de existir.

Houve um tempo em que nem mesmo a natureza, essa velha anciã, se demorava em mesuras e em comedimentos. Era bela e pronto! E bela com todos os atributos que o termo implica. A exuberância das matas, o vigor das águas, a imensa confraternização dos animais, de todas as espécies, cores… Era tudo escancarado, para que todos pudessem ver e se embasbacar com tamanho descaso contra aquilo que tempos depois chamariam pela oportuna alcunha de “planos de contenção”. Era um exagero de beleza e, talvez, de vida. Transbordava sem que ninguém tomasse providência.

Mas um dia alguém se deu conta de que aquilo era um desrespeito e decretou mudanças gerais. A anarquia do homem seria definitivamente reprovada. A autarquia da natureza seria destituída.

Primeiro puseram cabrestos naqueles pobres homenzinhos inferiores. Afinal, estes nada tinham que ver com os demais: eram obsoletos, não-esclarecidos e, para dar mais ênfase à sua condição de dementes, eram indecentemente amistosos. Para alguns, ainda pesava o fato de carregarem na pele a obscuridade de seus próprios sonhos. E, de uma vez por todas, derrubaram a balela de que liberdade era sinônimo de igualdade, porquanto ser livre era para aqueles que detinham a liberdade… e os sonhos.

Uns motivos muito sórdidos fizeram com que uma meia horda de loucos se levantasse contra a santa máquina dos milagres — entidade preceptora devidamente estabelecida para instruir e aperfeiçoar o “novo homem”. Foi inútil como tentar apagar uma fogueira com baforadas de whisky de qualidade questionável. Saíram da batalha mutilados, queimados, assados, heréticos… (Deus salve aquelas tolas almas.) Aqueles que tiveram forças para correr se refugiaram nos confins do mundo, contrariando a expectativa de seriam extintos. Aqueles que ficaram, no entanto, ainda tiveram forças para levantar a voz e reclamar por aquilo que jamais iriam merecer: direitos. De tudo isso, o que ficou mais evidente foi a cara-de-pau de uns prevaricadores que defendiam o uso arcaico e pouco convencional da terra, quando ela poderia se estender em glebas e mais glebas de grandes plantações.

Foi uma longa era de mudanças. Prevaricadores, heréticos, obsoletos e não-esclarecidos encontraram um fim trágico e, como muitos diriam, tardio. Muitos se converteram à preciosa doutrina dos “valores” e os que resistiram à sua fleuma foram mastigados pelas engrenagens de outra “máquina dos milagres”, que as suas vítimas jamais admitiriam “santa”. A natura, outrora tão descuidada e campesina, tornou-se mais urbana e mais contida; aprendeu a se esquivar dos inúmeros caminhos abertos pelo progresso, recolhendo-se em redutos cada vez mais secretos, tendo o cuidado de não estorvar os príncipes hercúleos, arquitetos de tão magníficos projetos. Seus regatos, que, desde pequenos, foram instruídos para crescerem enrijecidos em longínquas e estreitas valas de concreto são um exemplo de tamanho capricho. Os peixes, outro exemplo, logo se acostumaram com a comodidade dos aquários e com as turvas águas das barragens, cujos propósitos descriam as raras injúrias de que elas deflagravam a degradação. Degradação seria desperdiçar tanto recurso à disposição. As barragens eram, ao contrário, o próprio estabelecimento do progresso!

Assim caminhou o tempo e a era por ora se dá consolidada. As sandices há pouco se calaram completamente, pois era flagrante seu despreparo diante dos argumentos favoráveis aos atributos da modernidade. Tudo finalmente se encontra onde deveria estar, como deveria estar, e deste modo permanecerá, mesmo que outros arautos profanos se levantem para proclamar o contrário. E a fábula contada no berço da criança todo dia descreve um grande herói e uma poderosa nação acima do bem e do mal, que protegem o mundo de seus próprios equívocos e fiscalizam o cosmos com a mais aguda verdade calibrada com miras ultramodernas de raio-zeta e sensores de rumor.

Mas, não ignorando outras certezas, eis que vem um outro tempo, os processos não tardam em iniciar… Até quando?